quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A mulher das panelas


Fico pensando em quanto tempo realmente ficamos vivendo nosso presente. Passamos uma boa parte da nossa vida mergulhados na sombra de um passado remoto ou mesmo recente perdidos em divagações. Lembranças que nos trazem sons, cheiros, contatos, sensações. E por serem passadas parecem mais intensas e vívidas do que aquelas do presente. Uma outra e grande parte desse tempo ficamos imaginando e projetando um futuro, seja ele próximo ou distante, querendo de todas as formas incluir nele a felicidade, a tranquilidade, e a plenitude de toda uma existência. E o presente? O quanto de nós vive intensamente o presente sem se preocupar com os dois lados opostos dessa linha imaginária? O quanto empregamos de sentido no hoje, no agora e no simples fato de sermos o principal agente e personagem do momento? Somos mais ou menos responsáveis pelas nossas emoções ?Isso me faz lembrar uma senhora de olhos profundamente azuis que vendia panelas de baixa qualidade na rua de minha casa quando eu era mais jovem. Suas panelas eram fracas, despolidas, de um aluminio opaco e sem vida, mas seus olhos tinham um brilho tão intenso que me davam sempre vontade de comprar as panelas. Seu sorriso faltavam alguns dentes mas o agradecimento dela sempre me deixava intrigado. __Obrigado, você fez o meu dia de hoje mais feliz!
Que sabedoria havia naquelas panelas...
Tento lembrar disso todos os dias pra que eu possa fazer o dia de alguem mais feliz... e assim o meu será único, diferente de todos os outros.
Como dizia Saint Exupery "Se a vida não tem preço, nós comportamo-nos sempre como se alguma coisa ultrapassasse, em valor, a vida humana... Mas o quê?"

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