domingo, 27 de dezembro de 2009

2010



2010 esta chegando…E claro, sempre fazemos aquelas promessas de mudança…
vou parar de fumar, vou emagrecer, vou ter mais tempo pra mim… e eu nao poderia ser diferente ! Cada ano que se acaba é um termino de ciclo… alguns mais leves, outros mais pesados. Em 2008 terminei um muito pesado… um ano cheio de trovões e tempestades que se arrastou alem do necessário… e que por fim acabou! 2009 não foi um ano fácil… mas tambem nao foi um ano pesado. Coisas boas aconteceram e coisas ruins tambem, como em vários outros. O importante é que acho que finalmente consegui definir metas pros próximos anos que virão. Nem sei se tudo aquilo que me proponho eu vou conseguir fazer… o que importa é que vou tentar! Decidi que não quero mais ser encontrado… eu quero mesmo é encontrar. Quero escolher quem vai estar ao meu lado e porque vai estar! Não quero alguem que se apoie em mim pra resolver os seus problemas ou esquecer as suas mágoas , mas quero alguem que se apoie em mim pra caminhar junto comigo. Sei que pode ser sonho ou ate mesmo utopia, mas eu quero um amor pra toda vida…
“Quero um amor que seja bom pra mim… vou procurar e vou até o fim”
Cansei de tentar por tentar, ficar por ficar, ficar pra esquecer, ou esquecer pra ficar….
Quero autenticidade, Eu quero é cuidar mais de mim! E se esse amor não chegar, nao vou me culpar ou enlouquecer…mas quero ter calma pra esperar um outro sorriso!
Em 2010 – quero a sorte de um amor tranquilo, um pote de veneno que enlouqueça minha alma de paixao e verdade! Nao quero nada pela metade.
Quero a certeza de ser inteiro.
Estou fechando 2009 com alguns quilos a menos, algumas mágoas e incertezas, mas tambem com muitas conquistas e de consciencia tranquila de ter sido verdadeiro com todos aqueles que significaram algo pra mim…
Nao me arrependo de nada… apenas preferia nao ter vivido alguns momentos… mas ate mesmo esses me fariam falta pra amadurecer! E isso me faz acreditar que os sonhos ainda podem acontecer… e que a vida pode ser aquilo que se espera dela. Seja em 2010, 2011, 2012…

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A vida



A cada dia a vida se prova cada vez mais surpreendente!
Somos testados a cada instante pelo inexato processo do tempo que corre diferente pra cada um de nós!
Viver é como mergulhar num lago onde a visibilidade só chega a alguns metros... o restante é novo, imprevisível e inesperado. Essa inexatidão me fascina. O fato de não saber os próximos capítulos me fazem sempre sonhar com novas perspectivas!
Se olharmos pra trás, veremos o quanto é torta e sinuosa a nossa caminhada, mas, e a frente? O que nos espera? Que surpresas, conquistas, certezas e dúvidas nos aguardam?
Adoro viver... e adoro descobrir isso em cada dia que se mostra diferente dos outros que passaram. Adoro tentar desvendar este processo utópico que parece ser sempre linear, mas no fundo é cheio de curvas!
Búzios, Tarot, ciganas e videntes... todos os oráculos não podem sequer supor os segredos que nos aguardam. Se ser feliz é o objetivo, viver é o único sentido! E nem mesmo a mais sutil idéia de imortalidade pode explicar e definir essa magia de ser mortal, humano, caótico e ao mesmo tempo tão cheio de lógica.
Viver é não ter certezas... caminhar com dúvidas... existir dividido entre o certo e o errado, o bem e o mal, a luz e a escuridão!
É não saber o que virá... e estar sempre pronto pra descobrir!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

POROS




PARTI, PARTIDO
POR AMPLOS PORTOS
PERDIDO
EM POUCAS PALAVRAS,
PAIXÃO!
PREVI IMPASSES
IMPREVISTOS PASSOS
PERMANECI PARADO,
EM PARAGENS PLÁCIDAS
PRETENSÃO!
PENSAR? PENSEI!
EM PÁLIDAS PEDRAS
PINTEI
EM PRETOS PONTOS
PEQUEI!
PORÉM, PASMADO
AMPLIEI ESPAÇOS
PERCORRI PALHOÇAS
E PALÁCIOS
E POR PEQUENAS PORTAS
PENETREI!
PERCEBI POR PARTES
PORQUE O PODER PERMANECE
ONDE O PÓ POVOA
DE POVO E DE POBRE
O PODEROSO PÃO!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Natal







A primeira lembrança que eu tenho de um Natal é a de um fusca de metal em miniatura que um papai noel da Eletroradiobraz me deu numa tarde de dezembro. O presente veio acompanhado de uma promessa de uma bicicleta vermelha que viria caso eu realmente tivesse sido bonzinho aquele ano. Não devo ter sido pois a bicicleta não veio. Lembro que o natal tinha um cheiro diferente. Era um misto de plástico, vidro e castanhas portuguesas assadas no fogão da minha avó. Tinha um cheiro de massa fresca de macarrão pendurada pra secar na cozinha da minha tia. Cheiro de pudim de pão e rabanadas da minha madrinha. O natal tinha gritos e correrias na varanda da minha avó onde uma mesa enorme ocupava todo o espaço com primos, tios e um punhado de amigos escolhidos a dedo. Natal tinha gosto de caramelo. Tinha a espera no portão pelo carteiro que trazia os cartões e a disputa pra ver quem recebia mais unidades. Tinha a longa espera ao telefone pra conseguir dar um alô pros parentes do outro lado do oceano.
Aí, sem avisar e nem pedir licença... começou a perder a cor, o brilho, o cheiro de plástico. Tornou-se em sépia como um quadro esquecido na parede!
Hoje ele tem apenas gosto de saudade... cheiro de jantares apressados e compras sem sentido!
Sei que fui bom o ano inteiro... então se pudesse pedir ao velhinho alguma coisa, eu pediria meus natais coloridos de volta! Quem sabe ainda consigo sentir aquele cheirinho de brinquedo novo pairando no ar? Quem sabe eu ainda acho meu fusquinha e começo tudo de novo!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Apenas Ser













Se ser o sol é ser sozinho
Sou a fumaça do caminho
Que estrelas percorrem pra brilhar.
Se ser a lua é ser amante
Sou a brisa que sopra nos instantes
Que os sonhos teimam em se mostrar!

Se ser o mar é ser imenso
Sou o delírio... o desejo intenso
Que chega nos olhos querendo chorar.
Se ser o espaço é ser infinito
Sou penetrante e doído como um grito
Que a garganta não solta... quando falta o ar!

Sou apenas o começo, a metade do início
As últimas pedras de um negro precipício
Onde o vento se curva pra descansar.
Sou o segredo pelos lábios revelado
Em momentos confusos... nos olhares apagados
Que a alma se apega pra se soltar!

Sou o presente, o passado e o futuro
Marcado em rabiscos sobre folhas espalhadas
Sou a memória, que não se apaga, nem se esquece
Ou apenas detalhes... de uma história inacabada!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

ABRAÇO












SEU ABRAÇO ENVOLVE
E ME DESCOBRE INTEIRO
ME EXPÕE A LUZ
ME ABRE O PEITO!
SERENAMENTE ME CONDUZ
A PERDER O JEITO
ME TRAZ DE VOLTA
E ME DIVIDO AO MEIO
DERRETE O GELO
E ME DERRUBA FEIO!
ME SUPORTA TANTO
QUE ATÉ ME ESQUEÇO
QUE TEU ABRAÇO ENVOLVE
E ME DESCOBRE INTEIRO!

IMAGEM



Olhos perdidos
Aflitos
Boca amarrada
Conflito
Beijo esquecido
No espelho
partido...
Longe de vozes
Emudecido grito
Transfigurado na face
Errôneo mito
Onde chorar é preciso
Um pranto
Dividido!
Sulcos profundos
A fotografar o tempo
Ressecadas falésias
Esculpidas ao vento
Silenciando o canto
Que se esvaiu
Tão lento...
Refletido rosto
Que perdendo o brilho
Iluminou-se tanto!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

PERDIDO PONTO



PERDIDO PONTO
NA AREIA DESERTA
OBJETIVO CONCRETO
DE CONSTITUIÇÃO INCERTA
PODER DE QUEBRA
DE QUEBRADAS ROCHAS
PODER DE FOGO
DE FAGULHA ESPERTA
POUSADO PESO
GRAVIDADE ALERTA
DIFÍCIL PONTO
ONDE ULTRAPASSAR ACERTA
ÀS VEZES INCOMODO
ONDE O SAPATO APERTA
AS VEZES CLARO, CRISTAL DE LUZ
CUJO FOCO ALERTA
A ALMA
A ESSÊNCIA
A PORTA ABERTA
POEIRA DE ESTRADA
POEIRA DE COSMOS
ESTRELA MOLDADA
DA GRANDEZA DE ROCHA
O ALICERCE DA CASA
PONTO PERDIDO
AREIA DE PRAIA
ARMA ESCOLHIDA
MORTE ENCENADA
NA BEIRA DO RIO
ESCURA... MOLHADA
NO VAZIO DAS CLAREIRAS
PRESENÇA... CONFIRMADA!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009



Estou numa fase interessante. Esquisita por definição mas extremamente clara por imposição! Estou traçando metas, escolhendo caminhos, vivendo em passos lentos pra ter certeza de onde estou pisando. Uma vez presenciei uma ninhada de tartarugas verdes numa praia nordestina. Todas eram verdinhas com exceção de uma que era um tanto quanto castanha. O biólogo a chamou de grenn ao invés de green num estranho trocadilho. Foi uma das últimas a chegar ao mar. Parava a cada segundo pra observar todo o ambiente a sua volta... para gravar na mente cada instante , cada som, cada cor daquele mundo inexplorado antes de construir sua historia naquele mar imenso a ser desvendado. Imediatamente me identifiquei com a grenn. Me sinto passando pela vida gravando meus momentos, minhas pequenas conquistas, minhas grandes derrotas. Vou acumulando historias de pessoas que se misturam a minha própria historia e fazem parte desse longo caminho para a praia a minha frente.Umas vem e ficam e outras se vão e se confundem nas memórias. Amo todas estas pessoas, pois me deixaram marcas e sentidos pra viver.
Nos últimos dias tenho conhecido, tenho teclado, tenho conversado e encontrado várias outras tartarugas - verdes, amarelas, azuis... e temos dividido histórias e momentos únicos! E me pergunto como é mágico a jornada de uma alma. Quantos sonhos desfeitos, quantas horas acumuladas... quanto amor e quanta insatisfação. Quanta diversidade espalhada e quantas
que se cruzam. Vejo sempre olhos atentos em busca de outro olhar onde possam se ver refletidos, para que possam mesmo que por um breve instante compartilhar esse grande mistério que é viver.
Me sinto livre pra cruzar essas fronteiras e talvez, como no filme do Nemo, pegar uma corrente ascendente que me leve a outras paragens desconhecidas.
Não sei se estou pronto pra mergulhar tão fundo no oceano de possibilidades, mas me sinto pronto pra tentar...pra nadar em águas claras, rasas, límpidas e transparentes antes de me decidir pelo mergulho em apneia.
Tudo me assusta um pouco, exatamente como a pequena grenn... a única certeza que tenho é que o mar está a frente e para trás ficaram apenas a areia, os restos de um ovo destruído e as histórias que me fizeram chegar até aqui!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Insensatez ou simples coerência???



Tenho tido muitos momentos de Deja vu... aquela sensação esquisita de já se ter vivido aquele instante... você lembra de sons, cheiros, sabores! Isso tem me tirado muito o sono e quando durmo tenho sonhos estranhos.
Essa noite tive um sonho onde ratos e pragas se escondiam em quartos escuros e eu fugia pra rua e encontrava um mundo modificado, completamente novo aos meus olhos. Um homem de vestes azuladas parado me perguntou o que eu preferia... ficar nesse mundo novo e ainda inexplorado ou voltar pro antigo e exterminar as pragas que devoravam e destruíam tudo a minha volta. Não tive dúvidas e escolhi o novo. O velho imediatamente sumiu e me vi novamente no meu mundo antigo, conhecido e cheio de pragas a serem exterminadas.
Entre o novo e o conhecido, a mente humana sempre tende pelo novo. Pela própria carga de excitação que a novidade nos traz e pela tendência que temos de tornar perfeito o que nem sempre se concretiza!
É assim que se formam nossos falsos heróis, nossos santos , as Amélias e os Josés perfeitos em sua uniões impecáveis!
O amor inatingível é muito mais belo e sublime que aquele do cotidiano, corroído pelas falhas da rotina. O relacionamento perfeito nem sempre é aquele que se idealiza demais, mas parece ser aquele do folhetim em que se espera que todos os dias hajam sorrisos, beijos e abraços apaixonados.
O ser humano é assim! Eu sou assim. Sempre quero de alguém aquilo que nem mesmo eu sou capaz de dar. Espero a sinceridade e nem sempre sou sincero. Espero fidelidade e nem sempre meus desejos me obedecem e teimam em querer olhar o pecado que mora ao lado. Espero um amor incondicional e sei que nunca poderei oferecê-lo a ninguém.
Já tive medo de ser falho, imperfeito, de desagradar gregos e troianos em nome de uma falsa e deturpada moral.
Já tive medo de ser taxado de egoísta,insensível, injusto e, mesmo assim tentando não ser, eu fui!
Hoje se me perguntassem, eu não queria ter esses medos. Preferiria apenas deixá-los guardados no fundo de gavetase esquecê-los, mas eles estão sempre ai me alertando e me punindo ao mesmo tempo.
Algo se quebrou aqui dentro... aí pude perceber que a única certeza que eu realmente tenho é que tenho muitas dúvidas. E que isso faz de mim um ser humano - falho e imperfeito como qualquer outro, mas por outro lado, maravilhosamente verdadeiro!
Prefiro a insensatez das perguntas do que a coerência das respostas... assim estarei sempre buscando, sempre sedento de verdades. Sempre lutando pra exterminar as minhas próprias pragas!

Ensaios


Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.
Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.

Fernando Pessoa



De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando,
a certeza de que é preciso continuar
e a certeza de que podemos ser
interrompidos antes de terminar...
Portanto, devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo.
Fazer da queda um passo de dança,
do medo uma escada,
do sono uma ponte,
da procura um encontro.
E assim, terá valido a pena existir!

(Fernando Sabino, "O encontro marcado")

Van Gogh


Um dos meus pintores favoritos e cujas pinturas mexem muito comigo é Vincent Van Gogh. Sua loucura me causa profunda admiração e estranhamento. Ela parece estampada em cada traço de sua pintura, tingida nas suas cores vibrantes e tão solidas que parecem querer sair da tela. Tenho a impressão de que foi se diluindo aos poucos em cada quadro que Vincent pintava para que a posteridade pudesse compreendê-lo!
Van Gogh escrevia ao irmão Theo sobre seu medo de enlouquecer numa tentativa de que assim seus medos e fantasmas pudessem ser exorcizados até que numa briga com Paul Gauguin, surtou, e decepou parte de sua orelha. Fico imaginando que com isso ele quisesse, talvez, extirpar a parte de seu corpo responsável por seu tormento.
Como uma mente louca e perturbada pode ter criado traços tão fortes , tão sublimes e ao mesmo tempo tão harmoniosos?
O que seria então a loucura senão a manifestação de um lado lúcido e tão claro capaz de se manifestar de forma tão intensa que ninguém além de você mesmo possa compreeender?
Recentemente estive com amigos na Sala de Van Gogh no Musée d'Orsay em Paris e não me contive diante de seus quadros. Quase que pude tocar um pouco daquela loucura e por que não dizer da lucidez desse gênio incompreendido da humanidade!

sábado, 21 de novembro de 2009

Lição de Vida

Saber Viver

Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura...
Enquanto durar.

(CoraCoralina)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

PERDAS E DANOS


Como é difícil crescer! Um dia a gente acorda e percebe que não existe mais aquele riacho caudaloso ao lado da nossa janela. Percebe que não há mais o cheiro forte de café que a avó ou a mãe da gente preparava sistematicamente todas as manhãs.
Me olho no espelho e ao invés de um garoto tímido e cheio de espinhas, eu vejo um cara grisalho... as marcas do tempo surgidas como se por mero acaso, sem pedir licença.
Esse intervalo eu não percebi!
Parece que foi ontem que deixei minha mãe ali deitada, os olhos e o sorriso congelados, inertes. Me permitindo apenas um abraço e um sussurro de despedida.
Parece que foi ontem que vi os olhos de minha alma de mala na mão, dizendo um adeus intermitente que ecoou por meses e meses na minha cabeça!
Não sei pra onde foram os outros olhos: castanhos, verdes, azuis e negros... desfilaram repentinos por entre nuvens de fumaça perdendo o brilho lentamente até se apagarem nas entranhas da memória.
Tantas perdas... tantos ganhos... tão disperso se tornou meu pensamento nestes 43 - quase 44 - anos de noites intermináveis e dias sem silêncio. Meus cabelos ficaram cinza, meu rosto marcou-se de tempo, minhas mãos soltaram outras e tantas mãos e hoje seguram o vazio!
Por tudo isso, pensei que soubesse lidar com as perdas. Ledo engano! Cada perda é um capítulo novo, um novo e dolorido processo de desapego... um sofrimento enorme mas extremamente necessário ao crescimento daquilo que entendemos como "nossa história". Cada uma mexe com estruturas que supúnhamos solidas... amadurecidas, resolvidas! E por isso nos tira o chão por instantes e o abismo que se abre parece não ter fim. Mas o tempo... o mesmo tempo que solidifica suas memórias se encarrega de apagar estes vestígios... de escrever suas letras retas em suas linhas tortas mais um pedaço do nosso destino.
Como dizia José Régio em seu eterno e louco Cântico Negro:
"Não sei por onde vou, não sei pra onde vou... só sei que não vou por ai!""

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Substitutos


No novo filme estrelado pelo ator Bruce Willis, a humanidade se utiliza de cópias perfeitas para viver suas próprias vidas. As unidades são manipuladas a distância pelo próprio ser humano que transmite suas ações e emoções. Fico pensando se este não é um futuro próximo demais pra ser mera ficção. Quanto de humanidade já transferimos para as máquinas. Quem já não vive a situação perfeita via web e se depara sonhando com personagens virtuais moldados num mero sonho de consumo? Nossos olhos por muitas vezes são webcans onde a obscura luz ambiente do oposto esconde defeitos e anormalidades que nada mais são do que fruto do real. Vivemos plugados! Antenados! Inspirados! Surfamos escondidos sobre teclados e mouses, inocentes peças manipuladas por mãos que constroem histórias ou mentiras sem o pudor que os olhos nos olhos possam impedir. Orkut, Facebook, Twitter, Msn, bate-papos...e por ai vai! E a cada dia um novo programa nos afasta mais e mais do contato humano, do calor que um aperto de mão ou um beijo no rosto pode proporcionar.
Talvez Aldos Huxley estivesse certo e tenhamos uma humanidade condicionada onde a emoção e o desejo sejam algo proibido e delegado para as máquinas e nossa maior emoção seja apenas a sensação do toque de nossos dedos num teclado frio de computador.

A mulher das panelas


Fico pensando em quanto tempo realmente ficamos vivendo nosso presente. Passamos uma boa parte da nossa vida mergulhados na sombra de um passado remoto ou mesmo recente perdidos em divagações. Lembranças que nos trazem sons, cheiros, contatos, sensações. E por serem passadas parecem mais intensas e vívidas do que aquelas do presente. Uma outra e grande parte desse tempo ficamos imaginando e projetando um futuro, seja ele próximo ou distante, querendo de todas as formas incluir nele a felicidade, a tranquilidade, e a plenitude de toda uma existência. E o presente? O quanto de nós vive intensamente o presente sem se preocupar com os dois lados opostos dessa linha imaginária? O quanto empregamos de sentido no hoje, no agora e no simples fato de sermos o principal agente e personagem do momento? Somos mais ou menos responsáveis pelas nossas emoções ?Isso me faz lembrar uma senhora de olhos profundamente azuis que vendia panelas de baixa qualidade na rua de minha casa quando eu era mais jovem. Suas panelas eram fracas, despolidas, de um aluminio opaco e sem vida, mas seus olhos tinham um brilho tão intenso que me davam sempre vontade de comprar as panelas. Seu sorriso faltavam alguns dentes mas o agradecimento dela sempre me deixava intrigado. __Obrigado, você fez o meu dia de hoje mais feliz!
Que sabedoria havia naquelas panelas...
Tento lembrar disso todos os dias pra que eu possa fazer o dia de alguem mais feliz... e assim o meu será único, diferente de todos os outros.
Como dizia Saint Exupery "Se a vida não tem preço, nós comportamo-nos sempre como se alguma coisa ultrapassasse, em valor, a vida humana... Mas o quê?"